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Certificação de obra na Argentina: como se monta e por que é observada

Felipe Arancibia Felipe Arancibia Sr. Product Designer
7 min de leitura
Óleo ao estilo do diner noturno americano: três clientes esperam debruçados no balcão de um local iluminado em plena noite, atendidos por um único funcionário de branco, vistos da rua vazia através da vitrine

Um certificado de obra é o documento pelo qual se reconhece e liquida o avanço executado num período, para o seu pagamento. Contém o cômputo do executado, valorizado aos preços do contrato, com os descontos, retenções e amortizações correspondentes, e requer a conformidade da inspeção de obra. Na prática argentina é o coração administrativo do contrato: define o fluxo, é a base da redeterminação de preços e é o documento que se revisa quando algo se discute.

A estrutura

Cômputo do período. Item por item, com a quantidade executada no período, a acumulada, a contratada e o saldo.

Valorização. Quantidades pelo preço unitário, subtotal e acumulado.

Adiantamento financeiro e sua amortização. Segundo o mecanismo pactuado.

Fundo de reparo. A retenção em garantia, com seu percentual e seu tratamento.

Redeterminação. Se corresponde ao período, o ajuste conforme o regime aplicável.

Líquido a certificar.

O respaldo

Um certificado sem respaldo é uma afirmação. O mínimo que a inspeção vai pedir:

DocumentoO que comprova
Cômputo métrico do períodoComo se mediu cada quantidade e onde
Croquis ou plantas conformadasLocalização verificável
Registro fotográfico datadoEstado do executado
Ensaios e certificados de qualidadeCumprimento técnico
Constâncias do livro de obraRecepções parciais e ordens de serviço
Documentação trabalhista e previdenciáriaCumprimento das obrigações do pessoal

A fotografia do que vai ficar oculto é inegociável. Armaduras antes da concretagem, instalações antes do fechamento, isolamentos antes do contrapiso. Sem foto datada e sem conformidade da inspeção, essa quantidade se discute e normalmente se perde.

Por que é observado

Cômputo sem memória de cálculo. O número está lá, não se pode verificar. A observação número um.

Itens fora do contrato. Trabalho real que não está no cômputo e orçamento contratual. É adicional e tem a sua via; enfiá-lo num item parecido termina mal.

Maiores quantidades sem autorização. Executar mais do que o previsto num item sem o trâmite correspondente.

Acumulados que não fecham. Erros de arrasto entre certificados. Uma vez que aparecem, contaminam a revisão completa.

Falta de conformidade prévia. Certifica-se o que a inspeção não recebeu.

Documentação trabalhista incompleta. Trava certificados por razões não técnicas, e é das mais frequentes.

O que a maioria não aproveita

Há uma conexão entre certificação e redeterminação de preços que muitos contratados tratam como dois trâmites separados — e não são.

O regime de redeterminação calcula sobre o que faltava executar numa data determinada. Essa data se estabelece com os certificados. Um certificado apresentado tarde, ou um acumulado mal levado, não só demora a cobrança do período: distorce a base de cálculo da redeterminação, que costuma ser muito mais dinheiro.

Dito de outra forma: a disciplina de certificar em tempo e forma tem um valor que excede o certificado em si.

Como reduzir observações

Acordar o formato antes do primeiro certificado. Peça à inspeção um exemplo de um certificado aprovado de outra obra do mesmo contratante.

Conformidades parciais frequentes. Semanais, assentadas no livro de obra. No fechamento, o certificado soma conformidades em vez de abrir uma negociação.

Um acumulado vivo por item e por setor. É o que evita descompassos e duplicações.

Montar a documentação trabalhista em paralelo. Não depende do avanço e pode estar pronta antes do fechamento.

Apresentar com margem. Nunca no último dia do prazo.

O custo de uma observação

Vale a pena quantificar. Uma observação não atrasa uns dias: reinicia o trâmite. É preciso corrigir, apresentar de novo, e o prazo de revisão começa outra vez.

Com duas observações num mesmo certificado, uma cobrança prevista para os trinta dias chega aos setenta. Enquanto isso a obra paga diárias, subcontratos e materiais todas as semanas.

Daí a conclusão que quase ninguém mede: a variável que mais impacta o seu fluxo não é o prazo de pagamento do contrato, é a sua taxa de observação. Dos seus últimos dez certificados, quantos tiveram observações e de que tipo? Se são de forma, é barato de resolver. Se são de fundo, o problema está em como você computa.

Perguntas frequentes

De quanto em quanto tempo se certifica?
Mensal é o habitual. O contrato define. Períodos mais curtos melhoram o fluxo ao custo de mais carga administrativa.
Podem-se certificar materiais estocados?
Só se o contrato prevê expressamente e com as condições que fixar: comprovação de propriedade, custódia, seguro e às vezes garantia adicional.
Quando se devolve o fundo de reparo?
Segundo o pactuado, habitualmente vinculado à recepção provisória e definitiva, após o período de garantia. É fonte frequente de disputa no encerramento e convém ter claras as condições desde o início.
O que acontece se a inspeção não aprova no prazo?
Deixe constância da apresentação com protocolo e assente no livro de obra. O efeito do silêncio depende do contrato e da norma aplicável; revise no início, não quando precisar.
Como estimo minha necessidade de capital de giro?
Meça o ciclo completo desde que começa a gastar até que recebe. Se são 75 dias, precisa financiar 75 dias de gasto operacional. É a causa mais comum de quebra de construtoras pequenas, e não tem nada a ver com falta de contratos.
SOBRE O AUTOR
Felipe Arancibia
Felipe Arancibia
Sr. Product Designer

Chileno, desenhando para a América Latina. Do research em campo tira o que realmente importa para os clientes, e com isso monta produtos que pessoas não técnicas adotam sozinhas —jurídico, educação, contabilidade— e que aparecem na produtividade já na primeira semana.

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