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Publicado em · Produtividade

Como controlar cinco obras ao mesmo tempo sem morar na caminhonete

Felipe Arancibia Felipe Arancibia Sr. Product Designer
8 min de leitura
Óleo orientalista em ocres e brancos; um cavaleiro com o fuzil cruzado nas costas para diante da porta de uma oficina sem descer do cavalo branco, enquanto o dono e um criado cuidam cada um do seu

O controle multiobra é o problema de manter visibilidade sobre vários projetos simultâneos com recursos de supervisão limitados. Aparece quando uma construtora passa de duas ou três obras para cinco ou mais, e é o ponto onde a maioria das empresas médias trava: crescer em número de obras deixa de melhorar o resultado.

A causa não é falta de capacidade do diretor. É que o mecanismo de informação não escala.

Por que não escala

Com duas obras, o diretor consegue visitar as duas toda semana e ficar sabendo de tudo conversando. A informação viaja pela presença física, e funciona.

Com cinco obras, esse mecanismo quebra: não dão os dias da semana. E como o mecanismo formal —os relatórios— nunca foi realmente necessário antes, também não existe.

O resultado é um padrão reconhecível: o diretor fica sabendo dos problemas da obra que visitou, e das outras quatro fica sabendo quando já são grandes. E como problemas grandes exigem atenção, ele acaba apagando incêndios em uma obra enquanto as outras quatro acumulam problemas novos.

É um ciclo que se retroalimenta e que se sente como falta de tempo. É falta de informação.

Os cinco números por obra

Um diretor não precisa saber tudo de cada obra. Precisa saber cinco coisas, toda semana, de todas.

IndicadorO que respondeAlarme
Avanço real vs programadoEstá no prazo?Índice abaixo de 0,90
Produtividade vs orçadaVai custar o previsto?Abaixo de 0,80 sustentado
Pessoal em obra vs planoTem os recursos?Queda sustentada
Dias perdidos e causaO que está freando?Mais de 3 por mês
Situação da última mediçãoEstá entrando dinheiro?Glosada duas vezes seguidas

Com esses cinco por obra —vinte e cinco números para cinco obras— um diretor sabe onde precisa ir esta semana. Sem eles, decide por intuição ou pelo volume de quem grita mais alto.

O princípio: visitar por exceção

A mudança de método é esta. Em vez de visitar todas as obras por rodízio, visita-se a que os números apontam.

Soa frio e não é. Uma obra que vai bem não precisa do diretor; precisa que a deixem trabalhar. Uma obra que começou a desviar precisa de atenção esta semana, não daqui a três quando chegar a vez dela.

A condição para isso funcionar é que os números cheguem toda semana de todas as obras. E aí está o gargalo real.

O problema da coleta

Pedir cinco números por semana a cinco obras parece trivial. Na prática vira o mesmo problema de sempre: os relatórios chegam tarde, incompletos, em formatos diferentes, e alguém no escritório tem que consolidá-los na mão.

E quando a consolidação é manual, acontece o previsível: faz-se bem um mês, mais ou menos no seguinte, e no terceiro o diretor volta a ligar por telefone.

Três condições para o mecanismo sobreviver:

Que o residente não precise fazer trabalho extra. Se os cinco números saem do registro que ele já leva, o relatório não compete com o dia dele. Se tiver que preencher outro formulário, vai perder para a obra.

Que se consolide sozinho. Qualquer passo manual de consolidação é onde o sistema morre no terceiro mês.

Que o residente receba algo de volta. Se o relatório só serve para cima, é burocracia. Se devolve a ele a própria produtividade e o próprio avanço, é ferramenta.

O que dá para delegar

Boa parte do que consome o diretor não exige o critério dele:

TarefaExige o diretor?
Verificar que o relatório chegouNão, é um aviso automático
Consolidar informação das obrasNão, deveria ser automático
Coordenar suprimento entre obrasNão, com informação visível
Resolver um desvio de produtividadeSim
Negociar com o clienteSim
Decidir mover recursos entre obrasSim
Atender um incidente de segurançaSim

A primeira coluna é o que hoje consome a maior parte do tempo, e é a que dá para eliminar sem contratar ninguém.

A vantagem que aparece com várias obras

Há um benefício do multiobra que quase ninguém aproveita: comparar entre projetos.

Se o mesmo serviço rende 10 m² por diária em uma obra e 6 em outra, com condições parecidas, aí existe uma causa que dá para identificar e transferir. Pode ser o mestre, o fornecedor, a logística da frente ou o método.

Essa comparação é impossível sem dados homogêneos. Com dados homogêneos, é a fonte de melhoria mais barata que uma construtora tem, e não exige investir nada: a informação já existe, só falta poder vê-la junta.

E serve também para orçar: a produtividade real medida em cinco obras é um insumo infinitamente melhor que uma tabela de manual.

Perguntas frequentes

Quantas obras um diretor consegue tocar?
Depende mais do mecanismo de informação do que do tamanho das obras. Com relatório semanal estruturado e confiável, cinco a oito é gerenciável. Coletando informação por telefone, três já saturam.
Vale a pena ter um coordenador intermediário?
Pode fazer sentido, com uma ressalva: se o problema é de informação e não de capacidade, um coordenador acrescenta um elo de transcrição sem resolver a causa. Primeiro conserte o mecanismo, depois avalie a estrutura.
Com que frequência eu deveria visitar cada obra?
Com visibilidade semanal confiável, a frequência deixa de ser fixa e passa a depender do que os números mostram. Em obras críticas ou em etapas de risco, mais vezes; em obras estáveis e em regime, menos.
O que faço se um residente não reporta?
Primeiro verifique se o relatório exige trabalho extra dele. A maioria dos descumprimentos é de projeto, não de atitude. Se o mecanismo é leve e mesmo assim ele não reporta, aí sim é outra conversa.
Um painel serve se os dados chegam com uma semana de atraso?
Serve para ver tendências, não para decidir. A utilidade de um indicador é inversamente proporcional ao seu atraso: um avanço de sete dias atrás ainda permite reagir; um de trinta já é história.
SOBRE O AUTOR
Felipe Arancibia
Felipe Arancibia
Sr. Product Designer

Chileno, desenhando para a América Latina. Do research em campo tira o que realmente importa para os clientes, e com isso monta produtos que pessoas não técnicas adotam sozinhas —jurídico, educação, contabilidade— e que aparecem na produtividade já na primeira semana.

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