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Cubicación de obra: método, critérios e os erros que mais custam

Felipe Arancibia Felipe Arancibia Sr. Product Designer
8 min de leitura
Ilustração a lápis de cor sobre papel bege; em uma oficina de janelões altos, um operário de capacete senta-se em um caixote e anota em sua caderneta as leituras de uma grande máquina de bronze coberta de manômetros, engrenagens e alavancas

Cubicar é medir e quantificar os itens de uma obra para valorizá-los. Isso é feito em dois momentos distintos com propósitos distintos: ao orçar, para determinar quanto vai custar; e durante a execução, para determinar quanto se executou e quanto se cobra. A mesma palavra, dois exercícios que quase nunca são feitos com o mesmo critério, e é aí que começam os problemas.

Os dois momentos

Medição de orçamentoMedição de avanço
QuandoAntes de executarDurante a execução
FonteProjetos e especificaçõesO efetivamente construído
Para quêDeterminar o preçoDeterminar a cobrança
Erro típicoOmitir itensMedir com critério diferente do orçamento

A segunda linha é a que gera a maioria das discussões. Se você orçou o reboco descontando vãos e em campo mede superfície bruta, seus números não são comparáveis e alguém vai perder dinheiro.

O critério de medição se fixa antes, não depois

Esta é a parte mais importante do artigo.

Cada item precisa de um critério de medição explícito, e esse critério deve estar acordado antes da primeira medição. Perguntas concretas que precisam de resposta:

  • Vãos: são descontados? A partir de que área?
  • Traspasses e encontros: medem-se uma vez ou duas?
  • Espessuras: medida nominal ou real?
  • Escavações: em banco ou solto? Com empolamento?
  • Armadura: peso teórico ou real? Contam-se os traspasses?
  • Acabamentos: superfície desenvolvida ou projetada?

Se as especificações técnicas do contrato não definirem — e com frequência não o fazem com detalhe suficiente —, acorde por escrito com a ITO antes de começar e deixe anotado no libro de obras. Meia hora de conversa no início poupa semanas de discussão depois.

Sem acordo prévio, cada medição vira uma negociação, e a posição do contratado é sempre mais fraca quando o trabalho já está executado.

Como se mede bem

Quatro regras práticas.

Por setor, sempre. Nunca meça um item como um total global. Meça por setor, eixo, nível ou trecho identificável. É o que permite verificar, o que evita duplicidades entre períodos e o que torna possível o acumulado.

Com croqui, ainda que à mão. Um esquema com as dimensões anotadas e a operação visível. É o que converte um número em algo comprovável, e é a primeira coisa que a ITO pede.

No mesmo dia em que se executa. Uma medição feita três semanas depois é uma reconstrução. E o que ficou oculto já não pode ser medido.

Com recebimento da ITO no momento. Uma medição assinada no dia em que foi feita vale muito mais que a mesma medição apresentada no fechamento do mês.

O acumulado, que é onde se perde o controle

Em obras de certa duração, o problema não é medir bem um período. É não perder o fio entre períodos.

A ferramenta é uma planilha viva onde cada setor aparece uma única vez, com:

  • Quantidade total conforme projeto
  • Quantidade executada acumulada
  • Quantidade cobrada acumulada
  • Saldo

Com isso, duas coisas se tornam impossíveis: cobrar duas vezes o mesmo setor e perder de vista que sobrou um saldo sem cobrar. A segunda é mais frequente do que se admite: obras que terminam sem cobrar quantidades que de fato executaram, porque ninguém levou o acumulado.

Os seis erros mais caros

Medir com critério diferente do orçamento. Já dito e vale repetir: é o erro que mais dinheiro move.

Medir como total global sem setor. Impede verificar, permite duplicar e torna impossível o acumulado.

Não medir o que vai ficar oculto, antes de tapar. Armadura, instalações, impermeabilizações. Depois não há forma.

Confundir avanço físico com avanço do item. Um muro levantado mas sem reboco não é um muro terminado. Se o item é “muro terminado”, o avanço parcial exige critério acordado sobre como se pondera.

Medir obra extraordinária dentro de um item contratual. Termina em observação e contamina a credibilidade do estado de pago inteiro.

Não documentar as mudanças de projeto. Se o projeto mudou e você mede conforme o construído mas o contrato se refere às plantas originais, precisa do respaldo da mudança antes de medir a diferença.

Um caso concreto

Muro de alvenaria, item em metros quadrados.

Trecho do eixo 3 entre os eixos B e D, nível 2. Comprimento 8,40 m, altura 2,60 m.

Superfície bruta:              8,40 × 2,60 = 21,84 m²
Vão de janela:                 1,50 × 1,20 =  1,80 m²
Superfície a medir:                          20,04 m²

E as três coisas que fazem com que essa medição não seja discutida:

  1. O critério de desconto de vãos está acordado e anotado no libro de obras
  2. Há croqui do trecho com as dimensões anotadas
  3. A ITO recebeu o trecho conforme no dia 14, antes de ser rebocado

Sem essas três, o mesmo número é uma afirmação.

Perguntas frequentes

Vale a pena medir a partir do modelo BIM?
Serve muito para a medição de orçamento, com a ressalva de que a qualidade do resultado depende inteiramente de como se modelou. Para a medição de avanço, o modelo diz o que deveria ter sido construído, não o que foi construído. São insumos complementares, não substitutos.
Quem deve medir, o contratado ou a ITO?
Habitualmente o contratado apresenta e a ITO revisa. O que convém evitar é que cada um meça por conta própria com critérios distintos: isso garante discrepância. Medir juntos em campo, ainda que por amostragem, resolve mais do que custa.
Como meço um item por preço global?
No preço global o pagamento costuma estar associado a marcos ou a percentuais de avanço do item completo, não à medição unitária. Ainda assim convém medir internamente: é a única forma de saber se você está ganhando ou perdendo naquele item.
O que faço se detectar uma diferença entre o projeto e o construído?
Anotar no libro de obras antes de medir, e resolver com a ITO como se trata. Medir sobre uma diferença não esclarecida é acumular um problema para o encerramento.
Quanto detalhe é demais?
O critério prático: meça com detalhe suficiente para que a ITO possa verificar em campo sem lhe perguntar nada. Mais detalhe que isso raramente é pago; menos, sempre custa.
SOBRE O AUTOR
Felipe Arancibia
Felipe Arancibia
Sr. Product Designer

Chileno, desenhando para a América Latina. Do research em campo tira o que realmente importa para os clientes, e com isso monta produtos que pessoas não técnicas adotam sozinhas —jurídico, educação, contabilidade— e que aparecem na produtividade já na primeira semana.

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