Como medir a produtividade real de uma equipe
A produtividade de uma equipe é a quantidade de trabalho que ela executa por unidade de tempo e de recurso. Calcula-se dividindo a quantidade de obra concluída pelos dias ou diárias que custou produzi-la, e se expressa na mesma unidade do serviço: metros quadrados por diária, metros cúbicos por dia de equipe, quilogramas por homem-hora. É o número que liga o que acontece no campo ao orçamento e ao cronograma.
Todo mundo na obra tem uma intuição sobre se uma equipe rende ou não. O problema é que a intuição não entra numa projeção, não se defende numa reunião e não serve para saber se um serviço vai fechar com prejuízo.
Este artigo é sobre transformar essa intuição em um número.
A fórmula
Há duas formas de expressá-la e vale entender a diferença, porque misturá-las é o erro mais comum.
Produtividade da equipe — quanto o time completo produz em um dia:
Quantidade executada
R_equipe = ─────────────────────────
Dias trabalhados
Produtividade por diária — quanto cada pessoa produz em um dia:
Quantidade executada
R_diária = ────────────────────────────────
Pessoas × Dias trabalhados
A primeira serve para programar: se você sabe que a equipe faz 10 m² por dia e faltam 200 m², faltam 20 dias com essa equipe. A segunda serve para custos, porque o preço unitário calcula a mão de obra por unidade produzida.
Uma terceira forma, mais usada em montagem industrial e estrutura metálica, é o consumo de homem-hora, que é o inverso: quantas homens-hora custa produzir uma unidade. É a mesma informação ao contrário, e convém usar a convenção que os seus preços unitários já usam em vez de introduzir uma nova.
O que você precisa medir no campo
Só três dados, mas os três têm armadilha.
- A quantidade executada. Tem que estar na mesma unidade do serviço do orçamento. Se a sua planilha cobra o muro por metro quadrado descontando vãos, meça descontando vãos. Se você mede o bruto e compara com um preço unitário que desconta, a sua produtividade sai inflada e a surpresa chega na hora de medir.
- A equipe real. Não a do orçamento: a que efetivamente esteve. Se o servente foi meio dia apoiar outra frente, esse dia não conta como diária cheia. É aqui que a maioria das medições se distorce.
- Os dias efetivos. Dias em que a equipe trabalhou naquele serviço. Não contam os dias parada esperando material, nem os que passou em outra frente.
Este último ponto é mais importante do que parece. Se você inclui os dias de parada, já não está medindo produtividade: está medindo produtividade mais interferências, misturadas em um número só. E as duas coisas se resolvem de forma diferente. Baixa produtividade se ataca com método, capacitação ou troca de equipe. Interferências se atacam com logística e coordenação. Se você não separa, não sabe qual dos dois problemas tem.
Leve os dois números: produtividade efetiva e dias perdidos. O segundo costuma ser o achado mais caro.
Um exemplo completo
Muro de bloco de concreto, unidade m².
De 3 a 12 de junho, a equipe de alvenaria levanta o eixo B do nível 2.
| Dado | Valor |
|---|---|
| Quantidade executada e verificada | 62 m² |
| Composição da equipe | 1 pedreiro + 1 servente |
| Dias corridos transcorridos | 8 |
| Dias efetivos no serviço | 6 |
| Dias perdidos por falta de bloco | 2 |
Produtividade da equipe:
62 m² ÷ 6 dias = 10,3 m² por dia de equipe
Produtividade por diária:
62 m² ÷ (2 pessoas × 6 dias) = 5,2 m² por diária
E o dado incômodo: em 8 dias corridos foram produzidos 62 m², ou seja 7,75 m² por dia corrido. A equipe rende 10,3 mas a obra avança a 7,75. Essa diferença de 25 % não é um problema de produtividade. É um problema de abastecimento, e aparece no cronograma mesmo que a produtividade pareça boa.
Os três erros que arruínam a medição
- Medir em unidades diferentes das da planilha. O caso clássico: a composição de preços diz m² de muro acabado e no campo se mede por peças assentadas. Os números não são comparáveis e a conclusão que você tirar será falsa.
- Não registrar a composição real da equipe. Quando as pessoas entram e saem da frente e ninguém anota, o denominador fica inventado. No fim do mês se reconstrói de memória, e a memória sempre arredonda a favor.
- Medir no fechamento do mês em vez de diariamente. Se você mede uma única vez a cada trinta dias, obtém uma média que esconde tudo: a semana boa, a semana de chuva, o dia em que faltou material. Médias longas são confortáveis e inúteis para decidir. A produtividade se mede na frequência com que você quer poder reagir.
O que fazer com o número
Uma produtividade isolada não diz nada. Ela serve quando você a compara.
Contra o seu próprio orçamento. É a comparação que importa, porque é ali que está o seu custo. Se você orçou 12 m² por dia de equipe e está em 10,3, a sua mão de obra por metro quadrado é 16 % mais cara do que o orçado. Multiplique pelo que falta e você tem o desvio projetado do serviço, hoje, e não no encerramento.
Contra o mesmo serviço em semanas anteriores. A tendência diz mais do que o valor absoluto. Uma equipe nova quase sempre começa abaixo e sobe; se já são três semanas e não sobe, é outra coisa.
Contra outras equipes no mesmo serviço e nas mesmas condições. Com a ressalva óbvia: se uma trabalha no térreo e outra no nível 7 com transporte vertical, a comparação não é válida.
Perguntas frequentes
- De quanto em quanto tempo devo medir a produtividade?
- Diariamente se o serviço está no caminho crítico ou representa uma parte grande do orçamento. Semanalmente para o resto. Mensal não serve para decidir: quando o número chega, o serviço já fechou.
- Conto a equipe completa mesmo que só parte esteja produzindo?
- Sim, se estão alocados naquela frente. Se o servente passa o dia transportando material para o pedreiro, isso é parte do custo de produzir aquele muro e deve estar no denominador. O que não deve estar é quem foi para outro serviço.
- O que faço com os dias de chuva ou de parada?
- Tire-os do cálculo de produtividade e registre-os à parte como dias perdidos, com a causa. São dois indicadores distintos e os dois importam: um mede produtividade, o outro mede condições. Além disso, dias perdidos documentados com data e causa são a base de qualquer pedido de prorrogação de prazo.
- A produtividade deveria melhorar com o tempo?
- Normalmente sim, por curva de aprendizado, sobretudo em trabalho repetitivo. Um salto de 10 a 20 % entre as primeiras semanas e o regime é o esperado. Se depois de três ou quatro semanas continua estável abaixo da composição de preços, já não é aprendizado.
- Como meço produtividade em serviços que não são repetitivos?
- Em trabalhos únicos a produtividade histórica serve de pouco. Ali o útil é medir o avanço contra o planejado em homens-hora orçados, e não procurar um índice unitário que não vai se repetir.
Fundador e CEO da Paladio. Há mais de 15 anos cria produtos financeiros que impactam a vida de milhões de pessoas. Escreve sobre o que vê na obra: como se mede o avanço de verdade e onde o dinheiro se perde.
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